ADEUS À GERINGONÇA

ENSINAMENTO. O PSD vai atravessar de novo um período de grande conturbação interna. Não é a primeira vez. Ao longo da sua longa história viveu diversos momentos críticos, diversas crises e diversas travessias no deserto, mas conseguiu sempre superá-las, oferecendo aos portugueses uma alternativa válida de governo. Não será diferente desta vez.

DESTEMPO. Uma semana e meia depois a Assembleia da República lá acabou por discutir o caso Tancos. Os partidos da geringonça consideraram o assunto muito importante, mas a verdade é que impediram que essa discussão tivesse ocorrido mais cedo. Durante dias a fio, as televisões abriram de manhã, à tarde e à noite os noticiários com o caso de Tancos, todo o país discutiu um dos maiores escândalos da democracia portuguesa, só o Parlamento, simplesmente o maior palco do debate político em Portugal, ficou de fora dessa discussão no devido tempo por força da vontade maioritária de PS, BE e PCP. Percebe-se hoje, como já se tinha percebido antes, não dava jeito.

ENVERGONHADOS. Os partidos da geringonça ainda argumentaram que este era um assunto demasiado importante para ser discutido em período de campanha eleitoral, pelo que somos a concluir que, para aqueles partidos, em períodos de campanha eleitoral não se pode falar de assuntos sérios. No final do debate, a muito custo também lá acabaram por admitir a constituição de uma nova comissão parlamentar de inquérito depois de na última terem vergonhosamente branqueado toda a ação de Azeredo Lopes, o ex-ministro agora constituído arguido e suspeito de conhecer toda a encenação.

PERECIMENTO. A geringonça morreu. Há quatro anos os partidos que a compuseram perderam as eleições, mas, sem aviso prévio, avançaram para aquela solução governativa. Curiosamente, quatro anos depois, os mesmos partidos que agora reclamam vitória nas eleições e que sempre alardearam as virtudes da geringonça, de novo sem aviso prévio decidiram acabar com ela. Igualmente é curioso verificar que durante os últimos quatro anos todos reclamaram a paternidade da geringonça, mas agora ninguém quer assumir a autoria do seu perecimento.


Ponto de Ordem, Cidade Hoje, 17 de outubro de 2019.

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